Guia de Olhão — Ria Formosa, Mercado e Ilhas de Ferry
Olhão é a capital piscatória de trabalho do Algarve — uma cidade de cerca de 45 000 pessoas com um mercado de peixe em funcionamento, uma história de conservas de atum, um terminal de ferry que serve duas ilhas barreira no parque natural da Ria Formosa, e um carácter urbano distinto derivado das ligações comerciais mouriscas com o Norte de África dos séculos XVII e XVIII. Os edifícios caiados de topo plano com os seus terraços e escadas externas (açoteias) conferem à cidade velha um aspecto diferente de qualquer outro lugar em Portugal.
É também, relativamente à sua qualidade e interesse, uma das cidades do Algarve menos visitadas. Não existe praia de areia dentro da cidade propriamente dita — as praias ficam nas ilhas barreira, acessíveis de ferry — e a ausência de praia de resort afastou o turismo de massas. O resultado é um carácter mais genuinamente português do que quase qualquer cidade de dimensão comparável na costa.
Como Chegar a Olhão
A partir do aeroporto de Faro: A cidade do Algarve mais próxima do aeroporto, apenas 8 km a leste. De carro, 10 minutos pela N125. De táxi, aproximadamente €15–20. De comboio, tome a linha do Algarve a partir da estação de Faro — 10 minutos, aproximadamente €1,60 de bilhete simples. A estação de Faro fica a cerca de 10 minutos do terminal do aeroporto de autocarro (autocarro 14 ou 16) ou táxi.
A partir do centro de Faro: Olhão fica 8 km a leste. O comboio é a opção mais prática — várias partidas por hora durante o dia, percurso de 10 minutos, sem problemas de trânsito.
A partir de Tavira: 25 km a oeste, 30 minutos de carro pela N125 ou N270. Ligações regulares de comboio (aproximadamente 20 minutos, €2,50 de bilhete simples).
A Cidade Velha e o Bairro Mourisco
A parte mais antiga de Olhão — o bairro entre os pavilhões do mercado e a Igreja Matriz (Igreja Paroquial) — vale a pena explorar durante uma manhã. As ruas são estreitas, caiadas e irregulares; os edifícios de topo plano com as suas açoteias (terraços exteriores no telhado com escadas) conferem ao bairro um carácter distintamente norte-africano que reflecte as relações comerciais dos séculos XVII e XVIII.
A Igreja de Nossa Senhora do Rosário é a igreja principal, com uma fachada do século XVIII e notáveis painéis de azulejos no interior. Aberta na maioria das manhãs.
A Capela dos Aflitos é uma pequena capelas que alberga uma notável colecção de ex-votos — figuras de cera, pinturas e fotografias deixadas por pescadores e as suas famílias em agradecimento por terem sido salvos do mar. Contida e genuinamente comovente. Aberta irregularmente — pergunte no mercado ou na câmara municipal.
Os Pavilhões do Mercado
Os dois pavilhões do mercado de 1912 na frente de água (Avenida 5 de Outubro) estão entre os melhores edifícios de mercado do Algarve. Construídos em tijolo vermelho com torres decorativas em estilo neo-mourisco, albergam:
Mercado de peixe (pavilhão leste): Activo a partir de aproximadamente 07h00, diminuindo por volta das 11h00. Peixe fresco desembarcado da frota de Olhão — dourada, robalo, mero, choco, polvo, amêijoas e, em época, atum. A qualidade é genuína e os preços reflectem a proximidade do ponto de desembarque. Vale a visita mesmo sem comprar nada.
Mercado de fruta e legumes (pavilhão ocidental): Aberto das 07h00 até ao início da tarde, de Terça a Sábado. Produção local do interior do Algarve. Ambos os pavilhões fecham ao Domingo. A manhã de Sábado é o dia mais movimentado e melhor.
A Ria Formosa e os Ferries para as Ilhas
O Parque Natural da Ria Formosa é um trecho de 60 km de ilhas barreira, canais de lagoa e salinas que se estende desde leste de Faro até à fronteira espanhola. Olhão situa-se no meio do parque e é o principal ponto de acesso às ilhas barreira centrais.
Ferries a partir do Cais da Ribeira de Olhão:
Ilha da Armona: travessia de 15 minutos. Uma ilha de um único núcleo habitacional com uma longa praia no lado voltado para o oceano e uma comunidade piscatória no lado da lagoa. Sem carros. As excursões de um dia são o uso principal, embora exista um parque de campismo e algum alojamento de arrendamento simples. A praia é excelente — longa, menos frequentada do que os padrões do continente, com água limpa no lado atlântico.
Ilha da Culatra (aldeia da Culatra e Farol): travessia de 45 minutos até à aldeia da Culatra, mais 20 minutos até ao Farol na ponta ocidental. O Farol é notável pelo farol (Farol de Santa Maria, construído em 1852), uma pequena comunidade balnear, e a sensação de genuíno isolamento apesar de ficar a 45 minutos de uma cidade portuguesa.
Detalhes práticos: Os ferries são operados pela Transporte Fluvial do Algarve. Os horários estão afixados no cais. Bilhetes de regresso aproximadamente €3–4 para a Armona, €4–5 para a Culatra/Farol. Prefere-se normalmente dinheiro. No verão (Julho–Agosto) os ferries estão movimentados — chegar ao cais cedo é aconselhável para as partidas da tarde.
Passeios de barco pela Ria Formosa: Vários operadores em Olhão realizam visitas guiadas de caiaque e passeios de barco através dos canais da lagoa. Estes cobrem as salinas, a fauna (flamingos estão presentes sazonalmente), e o ecossistema da lagoa. Tipicamente 3 horas, aproximadamente €35–50 por pessoa.
O Que Comer
A cena gastronómica de Olhão está centrada no peixe fresco — a proximidade ao mercado e à frota piscatória significa que a qualidade é alta e os preços estão entre os mais honestos do Algarve.
Restaurante 3 Velas (Rua Dr. Teófilo Braga): De longa data, frequentado por locais e turistas gastronómicos visitantes em partes aproximadamente iguais. Peixe grelhado ao peso, cataplana, salada de polvo. Pratos principais aproximadamente €14–22. Almoço e jantar; fechado à Segunda.
O Aquário (perto do mercado): Restaurante básico de paredes de azulejo, sem rodeios, boa cataplana e arroz de lingueirão. Menos de €18 por pessoa para um almoço completo com vinho. Apenas almoço.
Tasca do Peixe (Rua Paio Peres Correia): Mais pequeno, apenas com reserva no verão, preparação de peixe fresco excelente. Preços ligeiramente superiores aos anteriores (~€20–28 por prato principal) mas a qualidade justifica.
Nas ilhas: A Armona e a Culatra têm restaurantes simples (abertos principalmente no verão) que servem peixe grelhado, sandes e cerveja. Um almoço de peixe grelhado num restaurante de mesa de plástico no Farol, a observar barcos de pesca na lagoa, é uma das experiências mais simples e autênticas do Algarve.
Onde Ficar
Olhão não é um destino com muitos hotéis — as opções de alojamento são mais limitadas do que nas cidades resort maiores, o que contribui para o seu carácter mais tranquilo.
Casa da Olhão (pensão, cidade velha): Pequena, com carácter, bem localizada no bairro da cidade velha. Quartos duplos aproximadamente €80–130/noite. Boa base para visitas ao mercado e acesso ao ferry.
Pedras Verdes Guesthouse (Fuseta, 8 km a leste): No limite oriental da Ria Formosa, ambiente mais rural. A distância de bicicleta do ferry de Fuseta e da lagoa. A partir de aproximadamente €70–110/noite.
Apartamentos de auto-catering no centro de Olhão representam o melhor valor global — tipicamente €70–120/noite, perto do mercado e do ferry, com instalações de cozinha úteis para comprar directamente no mercado de peixe.
Melhor Época para Visitar
Março–Maio: O mercado de peixe está em pleno funcionamento, as aves migratórias da Ria Formosa estão presentes (flamingos, colhereiros, garças-pequenas), a cidade velha está tranquila e genuinamente agradável. Sem dúvida o melhor momento para visitar sem qualquer infra-estrutura de verão.
Junho–Setembro: Os serviços de ferry aumentam, as ilhas estão em pleno modo de verão. Julho–Agosto vê as praias das ilhas na capacidade máxima ao fim de semana — planeie os horários do ferry com cuidado e considere excursões a meio da semana.
Outubro–Novembro: Pós-pico, condições muito boas. Água ainda suficientemente quente para nadar nas ilhas. Mercado e restaurantes a pleno funcionamento.
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