Guia de Óbidos — Muralhas Medievais, Ginja e o Castelo
Óbidos é uma pequena vila amuralhada de cerca de 3 000 pessoas, 80 km a norte de Lisboa na região do Oeste. A totalidade da vila medieval situa-se dentro de um circuito intacto de muralhas dos séculos XII–XIV, que é a razão principal para a visitar — é um dos poucos lugares em Portugal onde o traçado urbano medieval está completamente preservado dentro das suas fortificações originais.
Para a maioria dos visitantes é uma visita rápida: percorrem as muralhas, bebem ginja, percorrem a rua principal, visitam o castelo (hoje uma pousada) e partem. Isso demora tipicamente 2–4 horas dependendo do ritmo. É regularmente descrita como uma das cidades mais bonitas de Portugal, o que é verdade, mas significa também que é uma das mais concentradas de turistas durante o verão e ao fim de semana.
Como Chegar
Não existe comboio directo a Óbidos. Opções:
Autocarro: Rede Expressos ou Barraqueiro Oeste a partir do Campo Grande ou Sete Rios em Lisboa. Duração da viagem aproximadamente 1h15–1h30. A paragem de autocarro fica na base da colina abaixo da Porta da Vila (o portal principal). A partir de Caldas da Rainha (8 km a norte) existe uma ligação de autocarro local mais frequente.
Carro: A8 para norte a partir de Lisboa, 80 km, aproximadamente 55 minutos. Estacionamento disponível fora das muralhas perto do portal principal. Conduzir dentro das muralhas não é possível para não-residentes.
Combinação: Óbidos combina facilmente com Nazaré (30 km a norte, 25 minutos de carro) ou Alcobaça (30 km a norte, com o Mosteiro de Alcobaça Património da UNESCO) numa excursão de um dia.
As Muralhas
As muralhas foram originalmente construídas pelos Mouros e ampliadas por Afonso Henriques após a conquista portuguesa em 1148. O circuito actual data principalmente dos séculos XII–XIV, com algumas modificações posteriores. A caminhada pelas muralhas percorre aproximadamente 2 km em torno do perímetro completo, com torres a intervalos e vistas em todas as direcções: o interior da vila em baixo, as planícies agrícolas do Oeste do lado de fora, e o castelo no canto nordeste.
A entrada na caminhada pelas muralhas é gratuita. Existem vários pontos de acesso em torno do circuito — as principais escadas a partir da Rua Direita (rua principal) são as mais utilizadas. Algumas secções são estreitas e expostas; as quedas do lado externo são significativas. Crianças pequenas e quem se sinta desconfortável com alturas devem ter precaução.
As muralhas são mais atmosféricas cedo de manhã antes de chegarem os grupos de autocarros turísticos, ou no final da tarde quando a luz incide nas secções viradas a oeste.
O Castelo
O castelo no extremo nordeste da vila é uma pousada (hotel do patrimônio do Estado) desde 1951 — a primeira pousada em Portugal. Não é um museu público, mas o exterior é acessível a partir do circuito das muralhas e o hotel tem um restaurante e bar abertos a não-hóspedes. O pátio interior pode ser visto a partir da entrada pública do hotel. Vale a pena tomar uma bebida aqui mesmo sem pernoitar.
As tarifas da pousada do castelo são de categoria de luxo. O reduzido número de quartos significa que está reservada com antecedência, particularmente durante o período do mercado de Natal.
A Rua Principal e o Interior da Vila
A Rua Direita vai da Porta da Vila (o portal principal com murais de azulejo do século XVIII no interior) ao castelo, e é a espinha dorsal da vila. Está repleta de lojas de recordações, vendedores de ginja, restaurantes e algumas galerias de arte. As casas brancas e amarelas com bordas de azulejo azul e buganvílias púrpuras são visualmente consistentes em toda a vila — não é por acaso, pois existem regras rigorosas sobre as cores exteriores e modificações dentro da área protegida.
A Igreja de Santa Maria (igreja paroquial, do século XII com interior de azulejo do século XVII) contém a pintura “Casamento de Catarina de Lancaster” no altar e um túmulo renascentista atribuído a João de Ruão. A igreja assinala o local onde o Rei Afonso V casou com a sua prima Isabel com oito anos de idade em 1444.
A Ginja
Vendida em toda a vila em várias lojas concorrentes. O ritual envolve uma pequena chávena de cerâmica ou de chocolate de ginja (licor de ginja) por cerca de €1–1,50. Algumas chávenas incluem uma ginja inteira conservada no fundo. A versão de chávena de chocolate — em que a chávena de chocolate preto é comida depois de beber — é a versão específica de Óbidos, que se diz ter sido desenvolvida no início do século XX. Todas as versões são servidas à temperatura ambiente.
O Mercado de Natal
O Mercado Medieval de Natal decorre de finais de Novembro ao início de Janeiro. Está instalado dentro das muralhas com bancas de tema medieval, ginja quente, artesanato e iluminação. A atmosfera é genuinamente boa — o cenário histórico funciona bem para mercados de Natal de uma forma que estruturas temporárias em praças modernas não conseguem. Os fins de semana são muito frequentados, particularmente em Dezembro; as visitas a meio da semana durante o período do mercado são significativamente mais confortáveis.
O Que Comer
Óbidos é suficientemente pequena para que as opções de restaurantes sejam limitadas. A rua principal tem vários restaurantes que servem pratos portugueses padrão; a qualidade varia. Os restaurantes mais simples atrás da rua principal oferecem preços mais baixos.
Melhor Época para Visitar
Primavera (Março–Maio) e outono (Setembro–Outubro) oferecem temperaturas confortáveis, menos multidões e o efeito total das muralhas e da vila sem a congestão do verão. Dezembro para o mercado de Natal, com a ressalva de que os fins de semana serão muito movimentados. Julho e Agosto são os piores para as multidões — o tamanho reduzido da vila significa que pode sentir-se sobrecarregada nos dias de pico.
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