Vista aérea de Nazaré com os telhados da cidade, a longa praia arenosa e o Oceano Atlântico

Guia de Nazaré — Ondas Gigantes, o Canhão e a Pesca

Nazaré é uma aldeia piscatória na costa atlântica do centro de Portugal, 120 km a norte de Lisboa. Tem cerca de 10 000 residentes permanentes. Até aproximadamente 2011 era conhecida principalmente como uma vila piscatória tradicional onde as mulheres usavam ainda o traje típico de sete saias e as embarcações eram puxadas para a praia por juntas de bois. Desde então tornou-se também internacionalmente famosa como um dos locais de surf de ondas grandes mais extremos do planeta.

As duas realidades coexistem: pescadeiras idosas com traje tradicional a observar ondulações atlânticas que surfistas profissionais viajam do Havai e do Brasil para enfrentar. A compacidade da vila — a faixa de praia (Praia), a aldeia na falésia (Sítio) e o funicular que as liga — permite compreender ambas num único dia.

O Canhão de Nazaré

A geografia subaquática responsável pelas ondas é um canhão submarino que se estende desde perto da costa até profundidades de 5 000 metros no Atlântico. A orientação do canhão canaliza a energia das ondulações do Atlântico Norte directamente para a costa e impede a dissipação de energia que ocorre quando uma onda atravessa a plataforma continental rasa. O resultado é que as ondulações que noutros locais quebrariam com 4–6 metros chegam a Nazaré com energia suficiente para produzir ondas com o dobro ou o triplo dessa altura.

Em Novembro de 2011, Garrett McNamara surfou uma onda oficialmente medida em 78 pés (aproximadamente 23 metros) na Praia do Norte, estabelecendo um recorde mundial na altura. Em 2020, Sebastian Steudtner surfou uma onda de 26,21 metros (aproximadamente 86 pés), posteriormente certificada como a maior onda alguma vez surfada.

O surf de reboque — que usa jet-skis para puxar os surfistas para ondas que se movem demasiado depressa para serem alcançadas a remo — é a técnica padrão nos dias de maior ondulação. O farol na ponta (Farol de Nazaré) serve de cenário para a maioria das fotografias.

Praia do Norte e o Farol

A Praia do Norte é a praia norte, separada da praia principal da vila pelo promontório em que assenta a aldeia alta do Sítio. A praia é acessível por estrada a partir do Sítio ou por um caminho costeiro acidentado. Em dias sem surf é uma faixa de areia tranquila e agreste, ladeada por falésias e pelo farol. Em dias de ondas grandes, os espectadores alinham-se na falésia do Sítio por cima.

O farol (Forte de São Miguel Arcanjo) foi convertido num centro de interpretação do surf que documenta a história do surf de ondas grandes em Nazaré. A entrada custa aproximadamente €2. O terraço circular oferece a vista mais próxima das falésias sobre a rebentação.

Sítio (A Aldeia Alta)

O Sítio é a aldeia original, situada a 100 metros acima da praia num planalto de topo plano. O funicular (ascensor da Nazaré, €1,50 em cada sentido) liga-a à vila da praia em baixo. O Sítio tem um carácter medieval distinto da animada faixa da praia: uma praça central com o Santuário de Nossa Senhora da Nazaré (uma igreja de peregrinação que data do século XII), restaurantes tradicionais menos orientados para turistas, e as melhores vistas sobre a Praia de Nazaré e a Praia do Norte em baixo.

A praça do Sítio é também onde decorrem os principais dias de mercado e festivais locais. Em Outubro, as Festas da Nossa Senhora da Nazaré trazem procissões, danças folclóricas e touradas.

A Vila da Praia

A parte principal da vila ao nível da praia desenvolve-se ao longo da frente de mar — uma ampla avenida ladeada de restaurantes, lojas que vendem peixe seco, e as pescadeiras tradicionais com os seus múltiplos saios (hoje em menor número e em parte performativas para os visitantes, embora algumas sejam residentes genuínas que continuam a tradição). A praia é larga e arenosa.

Fora dos meses de verão, a vila da praia tem um carácter autenticamente laborioso: barcos de pesca, o cheiro do bacalhau a secar, homens mais velhos a jogar às cartas nas esplanadas de cafés. A infra-estrutura turística sobrepõe-se a tudo isto em vez de o substituir.

Como Chegar

Não existe comboio directo a Nazaré. Opções:

Autocarro: Rede Expressos a partir do terminal de Sete Rios em Lisboa, 2 horas, aproximadamente €12–14 em cada sentido. Dois a três serviços diários. Chegam à paragem de autocarro na Praia.

Carro: 120 km a partir de Lisboa pela A8, percurso de 1h30. Estacionamento disponível perto da praia.

Combinação: Alcobaça fica a 10 km do interior de Nazaré e tem ligação de autocarro local. O Mosteiro de Alcobaça (Património Mundial da UNESCO) pode ser combinado com uma excursão a Nazaré por quem dispõe de carro.

O Que Comer

A herança piscatória de Nazaré significa que o marisco é geralmente fresco e com bons preços para os padrões portugueses. A caldeirada (guisado misto de peixe com tomates e batatas) e o peixe grelhado são os pratos principais. O polvo seco e salgado é vendido ao longo da frente de mar — um sabor adquirido, mas genuinamente local. Os restaurantes ao longo da Avenida da República são voltados para turistas; as ruelas atrás da avenida principal têm lugares mais simples a preços mais acessíveis.

Onde Ficar

Nazaré tem bastante alojamento concentrado na vila da praia. O verão (Julho–Agosto) vê a vila encher-se de famílias portuguesas e turistas internacionais de surf. Os eventos de ondas grandes no inverno trazem um público diferente — fotógrafos, equipas de comunicação social e entusiastas do surf — que frequentemente esgota as opções hoteleiras limitadas. Reserve com bastante antecedência tanto para o pico do verão como para os principais eventos de ondulação invernal.

Melhor Época para Visitar

De Outubro a Março para ondas grandes (e temperaturas mais frias, 10–16°C). De Junho a Setembro para natação e uso de praia (água a 17–20°C). O período de Outubro a Novembro é o mais dramático — grandes ondulações, temperatura suficientemente amena para estar confortável na falésia, e antes da chegada do pleno inverno.

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