Évora — Templo Romano, Capela dos Ossos e o Alentejo
Évora é uma cidade de cerca de 55.000 habitantes na região do Alentejo, a 130 km a leste de Lisboa. Foi uma importante cidade romana (conhecida como Liberalitas Julia), um próspero centro administrativo muçulmano e a residência preferida dos reis portugueses dos séculos XIV ao XVI. A combinação dessas camadas — romana, medieval e renascentista — dentro de uma única cidade amuralhada intacta valeu-lhe o estatuto de Património Mundial da UNESCO em 1986.
É a cidade historicamente mais densa de Portugal fora de Lisboa, e o local romano urbano mais completo do país. Funciona também como capital da região do Alentejo, o que significa que tem uma economia real independente do turismo — serviços governamentais, uma universidade (fundada em 1559) e o comércio agrícola que sustenta a região.
Como Chegar
De carro a partir de Lisboa: A6 em direcção ao leste até Évora, 130 km, aproximadamente 1h30. A condução atravessa as planícies alentejanas, que são notavelmente planas após o país acidentado em torno de Lisboa.
De comboio a partir de Lisboa: serviços da estação do Oriente, 1h40–2h, a partir de 12 €. Alguns serviços são intercidades com lugares reservados; outros são regionais. A estação de Évora fica a cerca de 1 km do centro da cidade.
De autocarro: Rede Expressos de Sete Rios, aproximadamente 1h30, com vários serviços diários. O autocarro chega ao centro da cidade.
Templo Romano de Diana
O templo romano é o símbolo mais imediato de Évora e um dos monumentos romanos mais bem preservados em Portugal. Catorze colunas coríntias do pórtico original ainda estão de pé, datando do século I d.C. O edifício é vulgarmente chamado Templo de Diana, embora não haja documentação histórica sobre qual divindade era dedicado.
O templo sobreviveu porque foi incorporado numa fortificação medieval após o período romano e posteriormente no matadouro municipal — as paredes à sua volta mantiveram-no de pé quando as estruturas circundantes foram demolidas. A actual apresentação em esplanada aberta data dos trabalhos de limpeza dos anos 1870.
A praça pública circundante (Largo do Conde de Vila Flor) é acessível a todas as horas. O templo está iluminado à noite e vale a pena ver depois de escurecer. O adjacente Museu de Évora (3 €) contém colecções arqueológicas do período romano e pinturas flamengas trazidas para Portugal por ordens religiosas.
Catedral (Sé de Évora)
A catedral de Évora é a maior catedral medieval de Portugal, construída entre 1186 e 1204 num estilo românico-gótico de transição. As duas torres assimétricas — uma ameada, outra com agulha cónica — reflectem o longo período de construção. O claustro gótico (século XIV) é o elemento arquitectónico mais fino e vale os 4 € de entrada para o museu e acesso ao claustro.
O passeio no terraço do telhado (3 €) proporciona vistas sobre a cidade, o templo romano e as planícies alentejanas que se estendem em todas as direcções.
Capela dos Ossos
A capelinha ossuária anexa à Igreja de São Francisco é a atracção mais discutida de Évora. Os frades franciscanos mandaram-na construir no século XVI para resolver o problema dos cemitérios monásticos sobrelotados — exumaram aproximadamente 5.000 corpos de sepulturas anteriores e usaram os ossos para revestir as paredes e pilares de uma única capelinha rectangular.
Os crânios e os ossos compridos estão dispostos com cuidado — não caoticamente, mas em bandas e padrões organizados. Luzes pendem do tecto entre crânios completos. Dois corpos mumificados (um homem e uma criança) estão suspensos perto da entrada. A inscrição acima da porta — “Nós ossos que aqui estamos, pelos vossos esperamos” — foi acrescentada como memento mori. O efeito é sóbrio em vez de grotesco.
Entrada: 4 €, comprada na igreja. Aberta diariamente. A capelinha fica a 10 minutos a pé do templo romano.
Muralhas Medievais e Centro Histórico
As muralhas romanas, alargadas no período medieval, ainda em grande parte encerram a cidade alta. O circuito é de aproximadamente 3 km e pode ser parcialmente percorrido. A praça central (Praça do Giraldo) substituiu o fórum romano e tem sido o coração cívico e comercial da cidade desde o século XII. A fonte do século XVI e a Igreja de Santo Antão voltada para a praça são as principais características arquitectónicas.
O centro histórico é compacto — a maioria dos principais locais fica a 15 minutos a pé da Praça do Giraldo.
Cromeleque dos Almendres
A quinze quilómetros a oeste de Évora, pela estrada N114 para Montemor-o-Novo, fica o Cromeleque dos Almendres — um círculo de pedras neolítico de aproximadamente 95 megálitos de granito erguidos e caídos dispostos numa formação oval. O local data de aproximadamente 5.000–4.000 a.C. e é um dos complexos megalíticos mais significativos da Península Ibérica.
O local é de visita gratuita, bem sinalizado a partir da estrada principal, e recebe uma fracção dos visitantes que atraem locais comparáveis no Reino Unido ou na Bretanha. Uma antas próxima (Anta Grande do Zambujeiro, a 10 km) é a maior de Portugal.
Vinho e Gastronomia Alentejana
O Alentejo produz cerca de 50% da cortiça de Portugal e alguns dos melhores vinhos tintos do país — densos, quentes, com fruta madura do clima quente do interior. As variedades de uva principais da região incluem Aragonez (Tempranillo), Trincadeira e Alicante Bouschet.
A gastronomia regional assenta em porco, caça, pão e o rico queijo de ovelha das áreas próximas de Serpa e Nisa. As migas (pão de broa frito com porco), a carne de porco à alentejana (porco com amêijoas) e a sopa de cação (sopa de peixe-gato com coentros e pão) são os pratos padrão.
A Taberna Típica Quarta-Feira na Rua do Inverno e o Restaurante Fialho na Travessa das Mascarenhas são os restaurantes tradicionais mais estabelecidos. A Adega do Alentejano perto do mercado é boa para almoço a preços mais baixos.
Onde Ficar
Évora tem uma boa selecção de alojamento no centro histórico, incluindo pousadas em conventos históricos convertidos. Reserve com antecedência para os períodos de verão e de Páscoa.
Melhor Época para Visitar
Primavera (Março–Maio) e outono (Setembro–Outubro) para o melhor equilíbrio de temperatura e luz. Verão (Julho–Agosto) em Évora é quente — regularmente 38–42 °C — e embora o centro histórico tenha sombra e os museus sejam climatizados, é desconfortável para caminhadas prolongadas ao ar livre. O inverno é ameno (10–16 °C) e a cidade é tranquila, tornando-a um bom destino fora de época.
Reserve Tours em Portugal
Encontre excursões de um dia, visitas guiadas às ilhas e experiências culturais.
Ver no GetYourGuide →